Don Quijote de La Mancha

por Felipe Pimenta

É preciso ser rápido para afirmar a verdade: Dom Quixote é, com certeza, o maior romance de todos os tempos. O começo é simples: Cervantes nos apresenta a vida simples do fidalgo Alonso Quijano, que vive uma vida ociosa e ocupa o seu tempo lendo romances de cavalaria, obras muito populares no fim da idade média e início do Renascimento. Um dia o fidalgo decide sair pelo mundo para viver aventuras semelhantes aos seus heróis dos romances de cavalaria; primeiro ele se autodenomina Dom Quixote , e encontra em seu vizinho Sancho Pança o seu fiel escudeiro. Depois disso os dois começam a percorrer a Espanha em nome do amor de amor de Dom Quixote pela dama Dulcinéia Del Toboso.

Logo na primeira aventura, Dom Quixote é espancado por um grupo de viajantes que reagiram a fúria do cavaleiro por causa de uma brincadeira que eles fizeram com o nome de Dulcinéia. Ele é levado de volta para casa; sua empregada então chama o padre local, que é amigo de Dom Quixote, e explica a ele que a causa da loucura de seu patrão são os livros de cavalaria que Dom Quixote possui em casa. Com isso há o início de uma hilária cena em que o padre brincando de inquisidor separa os livros que considera bons dos livros que considera nocivos, atirando-os à fogueira.

Mas o cavaleiro é insistente e retoma sua jornada tendo ao seu lado Sancho Pança e seu cavalo Rocinante. Pouco tempo depois há a famosa história do ataque de Dom Quixote aos moinhos de vento. Mas só quem não leu o romance pode considerar essa cena como a mais engraçada do livro; no entanto, a cena não deixa de ser emblemática. As histórias engraçadas vão sucedendo-se umas às outras ao longo das páginas, e proporcionam muitas risadas ao leitor da obra.

Dom Quixote não deixa de ser também um livro em que Cervantes expõe ao mundo as injustiças da Espanha da época, como, por exemplo, a perseguição aos mouriscos. Ele também escreve contra os padres da corte, que ele considerava hipócritas. Os demais padres e religiosos são tratados com muito respeito e reverência por parte de Cervantes.

Elementos autobiográficos da vida do autor estão presentes no livro, como a história do cativeiro de Cervantes em Argel, quando foi capturado por piratas muçulmanos e ficou cinco anos preso até ser resgatado por padres espanhóis com uma alta soma em dinheiro.

Diversas passagens são memoráveis, como o ataque de Dom Quixote ao teatro de marionetes, a sua descida à caverna, ou então a sua chegada a Barcelona. Sancho Pança também se envolve em situações muito engraçadas principalmente quando é eleito governador da ilha da Baratária. Essa é, na minha opinião, a parte mais divertida do livro.

Uma passagem que chama a atenção é a homenagem que Cervantes presta à Alemanha e sua parte católica, através do personagem mourisco, amigo de Sancho Pança, que encontra refúgio depois da perseguição na Espanha na cidade católica alemã de Augsburgo.

A principal mensagem de dom Quixote raramente é mencionada, no entanto. Cervantes faz de Dom Quixote um exemplo de homem católico e mensageiro da contrarreforma da igreja romana. O personagem não se separa em nenhum momento do seu imenso rosário e a todo momento recorda ao leitor os dogmas católicos, na época combatidos pelos protestantes, como a existência do purgatório e a necessidade das boas obras para a salvação. Dom Quixote também nos fala da necessidade de utilizarmos a espada para a defesa da fé em certas ocasiões em que isso for necessário, lembrando sempre que Cervantes combateu em Lepanto contra o exército turco, perdendo o movimento de uma das mãos por causa de um tiro.

Cervantes escreveu o maior romance católico de todos os tempos, pois Dom Quixote é um livro profundamente religioso, que afirma a todo momento os valores do concílio de Trento. É um livro extremamente engraçado e com uma mensagem de esperança aos mais fracos e desesperados, porque afirma que não devemos desesperar jamais, pois como disse Sancho Pança,” não há maior loucura, do que o homem deixar-se matar pela melancolia”. Obra muito recomendada.

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