Inserção Social

 

A concepção do Programa, no momento de sua criação, estava em consonância com a proposta de criação da UFVJM, voltada sobretudo para o desenvolvimento da região dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. O MPICH, como um desdobramento do BHu, embora não diretamente vinculado a ele, foi concebido como mais um espaço de formação especializada que visava a atender, principalmente, estudantes de diversas cidades da região e de outras partes do país. Desta forma, com caráter profissional e interdisciplinar, deveria atrair estudantes e profissionais com formações diversificadas, que, uma vez pós-graduados, poderiam contribuir para o avanço do conhecimento e de diversas instituições públicas e privadas. O sucesso desta proposta se reflete no elevado número de candidatos que o programa recebe anualmente em seu processo seletivo. Isso evidencia a carência de programas de pós-graduação em Ciências Humanas na região, sendo este o único com tais características nesta parte do Estado de Minas Gerais. A título de ilustração, o Edital de 2012 contou com 185 candidatos; o de 2013, contou com 104 candidatos; o de 2014 contou com 100 candidatos; e o de 2015 contou com 75 candidatos. Total de 464, média de 116 candidatos por ano.

Embora o programa não conte ainda com informações sistematizadas sobre os egressos (este está sendo preparado pela coordenação atual – 2017), temos conhecimento da inserção de ex-alunos em instituições de ensino da cidade e do entorno, em setores de administração pública e, igualmente, como técnicos administrativos e como docentes na própria instituição do programa. Além disso, alguns dos projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos por docentes têm impacto direto, como os programas PIBID, além de produções técnicas. O projeto do PIBID institucional (2014-2017) envolve cerca de 200 alunos da graduação dos cursos de Letras, História, Geografia e Pedagogia, além de cerca de 25 professores da educação básica e 08 coordenadores de área (docentes da UFVJM). As parcerias entre o meio acadêmico e a educação básica propiciam o desenvolvimento de atividades culturais e pedagógicas e acarretam o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema, como é o caso da pesquisa desenvolvida pelo nosso mestrando Daniel Alencar: “Novos suportes para o professor: Como os jogos digitais didáticos podem contribuir para o aprendizado em sala de aula”.

Diante desse quadro de atuação do programa, fica evidente que o seu descredenciamento abriria uma lacuna na formação de profissionais mais especializados e no desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares na área de humanidades. Foram defendidas 31 dissertações no programa entre os anos de 2015 e 2017 e, destas, 24 tratam diretamente de assuntos que cercam os problemas sociais, linguísticos, políticos e históricos da região: “Escravos e Libertos: autores das ações de liberdade em Diamantina (1850-1871)”; “Conselho Municipal de Cultura de Diamantina (Gestão 2009-2012): um estudo de caso”; “Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) em cursos de graduação a distância: um estudo de caso no polo de Teófilo Otoni EAD/UFVJM”; “Entre territórios: uma análise cultural e política de uma comunidade atingida pela Hidrelétrica de Irapé, no Alto Jequitinhonha – MG”; “Educação do Campo no Vale do Jequitinhonha: um olhar sobre o PROCAMPO”; “Grupo Escolar Professora Júlia Kubstichek: modernização na arquitetura e nas concepções educacionais em Diamantina, 1951-1961”; “Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação aplicadas à Educação: análise pedagógica de jogos digitais”; “O povo Xacriabá: luta, história, mito e literatura”; “Práticas de Escrita: os diários manuscritos das alunas da Escola Normal Rural de Conselheiro Mata (Diamantina – MG) – 1950-1962”; “Visitações episcopais:processos de devassa ocorridos no Arraial do Tijuco, Capitania de Minas Gerais, 1750”; “Processos de formação da etnicidade do quilombo Quartel do Indaiá – Diamantina- Minas Gerais”, para citar algumas.

O maior impacto da formação que oferecemos aos nossos alunos egressos se verifica na inserção dos mesmos em escolas de Ensino Básico da cidade de Diamantina e região, como é o caso dos mestrandos João Paulo da Silva Andrade, Daniel Alencar, Joiciele Rezende Costa, Robson Gomes de Brito, Cláudia Baracho, Luana Maiara e outros. Além disso, temos a aluna egressa Claudia Baracho que, além de atuar em escolas municipais, é tutora da EaD/UFVJM, como também o é a egressa Neilane de Souza Viana. Outra aluna egressa, Taynara Ribeiro Pessoa, foi aprovada em dois concursos realizados pela UFVJM para professor substituto, assumindo uma das vagas no curso de Letras Português-Inglês. Não poderíamos deixar de mencionar o caso do egresso, professor de Libras da própria UFVJM, Prof. Duanne Antunes Bomfim, que concluiu recentemente, dentro do prazo protocolar, sua capacitação como mestre.

Outro fato importante a ser considerado, na inserção social dos egressos, é que alguns deles são técnicos administrativos da própria UFVJM e, a partir da capacitação que receberam do MPICH, conseguem, não somente, obter progressão funcional, mas, também, tornarem-se profissionais autocríticos e críticos no âmbito de suas atuações administrativas. Este é o caso dos egressos Wellington Costa de Oliveira, Carolina Vanetti Ansani, Crislaine Borges e Léa Cristina de Sá Pedreira. Além desse aprimoramento de técnicos administrativos lotados na própria instituição, é preciso ser considerada a capacitação técnica proporcionada a egressos que atuam, por exemplo, na Prefeitura de Diamantina e no Museu do Diamante, como é o caso das três já citadas há pouco e Lílian Aparecida Oliveira (Diretora do Museu do Diamante até 2015). Uma das egressas do programa, Marcela Mazzilli Fassy, recentemente, foi redistribuída para o Museu do Diamante, atuando efetivamente na cidade. A propósito desta egressa, vale, ainda, destacar que a mesma desenvolveu durante seu mestrado um estágio no Museu do Louvre, em Paris, recebendo bolsa da CAPES em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e com a École do Louvre, pelo período de 2 meses, de agosto a outubro de 2015. Antes do estágio ela participou do Seminário Internacional de Verão em Museologia, em Paris.

Capacitamos uma professora do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais, a egressa Gilmara Rodrigues Casagrande. Além delas, citamos o caso da egressa Waldicleide de França Gonçalves que, após defender sua dissertação, passou a atuar como docente no curso de Direito na PUC Minas-Serro. A egressa Luana Maiara dos Santos, que após a conclusão do curso tornou-se professora do curso de Oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais (estando sempre em trânsito para Belo Horizonte), é, também, professora da Unopar e do Colégio Diamantinense (neste, no Ensino Básico). É preciso destacar que o egresso Sanmil Manuel Costa da Cruz recebeu voto de congratulação da Câmara dos Vereadores de Diamantina pelos relevantes esclarecimentos prestados acerca do tema “parcelamento urbanístico do solo”, tema de sua dissertação de mestrado defendida no programa.

Ainda em relação à inserção social, contamos com projetos extensionistas como o programa de rádio Política em Pauta, que é transmitido pela Rádio Universitária, 99,7 FM. Este programa foi elaborado e é mantido por três membros permanentes do programa: Prof. Davidson Afonso de Ramos, Profª. Teresa Cristina Vale e Profª. Adriana Gomes, com participação do Prof. Atanásio Mikonyos. Foi desenvolvido, também, o projeto de extensão “Organização, preservação e disponibilização de acervos documentais de Diamantina”, pela Profª. Ana Cristina Lage; o projeto “Extensão em Interface com a Pesquisa”, em parceria com a Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio de Diamantina, de autoria da mesma professora em parceria com outra professora do programa, Profª. Ana Paula Pereira Costa. Este projeto possibilitou a organização de um acervo documental da Prefeitura de Diamantina, o qual possibilitou ações de contato com a comunidade local por meio de oficinas e trabalhos de higienização, catalogação e digitalização do acervo que será logo disponibilizado online, sendo que o produto final deste projeto será um trabalho técnico (inventário de fontes), de autoria da Profª. Ana Cristina Lage. Outro importante projeto de extensão a ser mencionado foi financiado pelo PROEXT, sobre patrimônio material e imaterial. Este projeto foi desenvolvido pelos professores Teresa Cristina Vale, André Luís Borges de Mattos e Elaine Sodré, e contou com a participação de outros professores da instituição. Nesta mesma linha, o Prof. Marcelo Fagundes possui diversos projetos extensionistas, incluindo produção de cartilha disponível na página do programa e na do Ministério Público (http://www.mpmg.mp.br/comunicacao/producao-editorial/preservando-a-historia-e-a-cultura-mineira-um-olhar-sobre-o-patrimonio-arqueologico-de-minas-gerais.htm#.Wdukx2hSyyI%20). Citamos, ainda, o “Projeto de Educação Patrimonial e Vivência por meio de Caminhadas”, de autoria do Prof. Carlos Eduardo Silveira. Além destes, temos projetos voltados para o Ensino Básico, como é o caso da “Educação Especial Inclusiva”; “Educação à Distância: Articulando a promoção de habilidades sociais educativas do professor ao desenvolvimento socioemocional dos alunos na escola”; e “Pró-Inclusão: capacitação de professores para atuação na perspectiva da Educação Inclusiva no município de Diamantina”, desenvolvidos pela Profª. Bárbara Ferreira. Voltados, ainda, para a Educação, temos os projetos: “Uso das Tecnologias da Informação e Comunicação na Escola Básica”; e “Telas e textos: práticas de compreensão e produção”, desenvolvidos pela Profª. Elayne Braga. Temas como Diversidade Sexual e Cidadania também são trabalhados pelos professores Marcos Rogério Cintra e Ricardo da Silva Sobreira. A disseminação da leitura foi muito bem trabalhada no projeto de extensão “Café literário”, coordenado pelo Prof. Roberto Penedo do Amaral. O Prof. Rogério Arruda desenvolveu o projeto de extensão “Fotografia, gênero e trabalho: mulheres trabalhadoras na UFVJM”. A Profª. Teresa Cristina Vale, além dos projetos já mencionados, desenvolveu o projeto de extensão “Hoje ensinamos a restaurar, amanhã apenas preservamos?: Projeto conservando acervos em Diamantina” (em parceria com Elaine Sodré – coordenadora deste e colaboradora do próximo –  e o IPHAN) para higienização, catalogação do acervo da Biblioteca Antônio Torres; e “Diamantina em Perspectiva: Uma história contada pelo e para o povo”. E, por fim, o Prof. Wellington Brilhante elaborou e ministrou um curso extensionista sobre métodos quantitativos aplicados às ciências humanas, intitulado “Métodos Quantitativos aplicados às Ciências Humanas”. Todos esses projetos extensionistas mostram a capilaridade dos docentes do programa, atuando em diversas frentes locais relevantes, contribuindo significativamente para a inserção e impacto do programa em Diamantina e região.

Por fim, os membros da Linha de Pesquisa “Educação, Cultura e Sociedade” desenvolvem pesquisas e projetos de extensão, como os mencionados acima, que estabelecem um vínculo forte com o Ensino Básico, principalmente com os trabalhos desenvolvidos na modalidade do PIBID.