Auto-avaliação

No PPGCH o processo de autoavaliação vem sendo compreendido como sistemático, contínuo e em constante aperfeiçoamento e tem contribuído para qualificar a missão do programa e expandir nossos horizontes, na medida em que proporciona um autoconhecimento que gera mais envolvimento e compromisso, como bem sintetizado no relatório do GT de Autoavaliação de Programas de Pós-Graduação: “aprende-se, ao trabalhar com avaliação, a importância de se pensar a prática, de refletir sobre a prática, de encontrar lições na prática e derivar dela ações concretas, iluminadas pela teoria, seja ela de qualquer paradigma”. Mas chegar a essa compreensão não tem sido um caminho fácil. 

É preciso reconhecer que, historicamente, os processos avaliativos em âmbito educacional ainda são marcados pela cultura do medo, do ranqueamento e da punição – desde as provas escolares aos exames nacionais -, superar esses aspectos exige tempo, perseverança, honestidade e ousadia, elementos que muitas vezes nos faltam no dia a dia das rotinas acadêmicas tomadas pela burocratização, pela competição produtivista e pela arrogância científica, bastante presente nos corredores das universidades. Considerando isso, todo avanço dentro do tema da autoavaliação precisa ser valorizado. Além disso, assim como o processo de planejar, a autoavaliação não possui um modo certo ou errado, há escolhas políticas e o caminho que cada instituição consegue construir a partir de suas condições e interesses. 

Outro aspecto relevante a ser considerado é a constatação feita pelo próprio relatório do GT de Autoavaliação de que “há uma diversidade de modelos ou roteiros que orientam a implementação de um processo de autoavaliação”, mas o que precisa ser acrescentado é que essa diversidade é dominada por modelos pensados por/ e a partir das instituições européias e estadunidense, com um forte caráter colonial, exemplo disso são as concepções de eficiência, eficácia e efetividade baseadas em uma racionalidade estritamente econômica. Como um programa da área interdisciplinar das Ciências Humanas, nos cabe lembrar que a realidade é mais complexa do que os modelos são capazes de considerar, reproduzir e projetar. 

Optamos por seguir o caminho pensado por Paulo Freire e sistematizado por Ana Maria Araújo Freire quando aponta que mulheres e homens enquanto corpos conscientes sabem quais são os obstáculos e barreiras que os condicionam – as “situações-limites”, e quando se sentem desafiados a superá-los, tomam distância e buscam entender em profundidade e em essência aquilo que os incomodam – “o percebido destacado – que não podendo e não devendo permanecer como tal passa a ser um tema-problema que deve e precisa ser enfrentado, portanto, de e precisa ser discutido e superado” (Pedagogia da Esperança). 

Assim, o movimento mais consciente de “prática de pensar a prática” no PPGCH teve início ainda durante o Quadriênio 2017-2020, quando foram realizados os primeiros seminários docentes para atualizar a proposta pedagógica do programa e realizar o levantamento de dados para criação dos projetos integradores. Por ocasião da publicação do relatório do GT de Autoavaliação, em 2019, foi criada a primeira Comissão de Autoavaliação com a seguinte composição: 

  • Maria Cláudia Magnani – Professora colaboradora em 2017 e Permanente do PPGCH desde 2018. Graduada em em Filosofia, mestre em Ciências da Saúde e doutora em História. 
  • Adna Candido de Paula – Professora permanente do PPGCH desde de 2013. Graduada em Letras, mestre e doutora em Teoria e História Literária; Doutora também em Ciência da Religião.
  • Marcelo Fagundes – Professor permanente do PPGCH desde 2013. Graduado em História, mestre, doutor em Arqueologia. Bolsista Pq 2 (CNPq).
  • Sâmara Evelyn de Souza – Discente do PPGCH, licenciada em História, Pedagogia e Docência do Ensino Superior, atuava como professora na rede de ensino municipal e no Conservatório do Conservatório Estadual de Música Lobo de Mesquita;
  • Cíntia Quirino – Assistente administrativo atuando no serviço público federal desde 2014, graduada em Zootecnia.
  • Frederico Silva Santos – Vereador do Município de Diamantina, atuando também como artista e professor. Possui título de doutorado em Artes pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e fez estágio de pós-doutorado em musicologia pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nessa composição, destaca-se a longa trajetória dos docentes envolvidos, a participação da servidora que também é uma profissional atuante na execução das políticas públicas como tantos discentes do programa e o representante externo que atua em constante diálogo com a população da região, além de também ser um profissional das políticas pública, e em especial, do campo da educação e artista. A comissão de Autoavaliação manteve essa conformação até o início de 2023.  

A partir do segundo semestre de 2023, houve uma nova composição e a comissão de Autoavaliação teve apenas membros internos do programa, a saber:  

  • André Luis Lopes Borges de Mattos – Professor permanente do PPGCH desde 2013. Graduado em Administração, mestre em Antropologia Social, doutor em Ciências Sociais e pós doutorado em Antropologia Social. 
  • Adna Candido de Paula – Professora permanente do PPGCH desde de 2013. Graduada em Letras, mestre e doutora em Teoria e História Literária; Doutora também em Ciência da Religião.
  • Davidson Afonso Ramos – Professor permanente do PPGCH desde 2016. Graduado em Ciências Sociais, Mestre em Ciência Política e Doutor em Sociologia.
  • Atanásio Mykonios – Colaborador desde 2015 e professor permanente a partir de 2018. Graduação e mestrado em Filosofia. Doutorado em Serviço Social. Docente do curso de Bacharelado em Humanidades. 
  • Fernanda Valim Côrtes Miguel – Professora permanente do PPGCH desde 2018. Graduada em Jornalismo e Letras, mestrado em Linguística Aplicada e Doutorado em Estudos Literários. 

Essa segunda comissão de autoavaliação foi exclusivamente interna e composta apenas por docentes do programa. Isso ocorreu em função do prazo mais curto que a comissão teria para realizar um novo ciclo de autoavaliação para atender ao processo de planejamento estratégico do quadriênio 2025-2028. Com membros internos foi mais fácil agendar reuniões e cumprir com a metodologia desenhada. Sabendo da necessidade da comissão possuir membros externos e profissionais, desde janeiro de 2025, foram incluídos novos membros buscando adequar a comissão ao recomendado pelo relatório do GT. Assim, além dos professores listados acima, a comissão passou a contar ainda com os seguintes membros: 

 

  • Albér Carlos Alves Santos – Egresso do PPGCH e servidor da UFVJM atuando na Pró-reitoria de Assistência Estudantil. Graduado em Serviço Social, Mestre em Ciências Humanas e doutorando no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros. Natural de Novo Cruzeiro, cidade da região do Vale do Jequitinhonha;
  • Rômulo Soares Barbosa – Professor do Departamento de Ciências Sociais, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros e do Mestrado Associado UFMG/UNIMONTES em Sociedade, Ambiente e Território. Graduado em Ciências Sociais e mestre e doutor em Sociologia. Pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental- NIISA. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Membro da Câmara de Avaliação de Projetos – CSA/FAPEMIG. Foi Pró-Reitor de Pesquisa da UNIMONTES. Desenvolve pesquisas envolvendo os municípios da área de abrangência da universidade. 
  • Henrique Moreira de Melo Silva – Analista do Ministério Público de Minas Gerais, na Comarca de Diamantina, coordenador das bacias dos rios Jequitinhonha e Mucuri, graduado em engenharia florestal pela Universidade Federal de Viçosa.   
  • Davi Antonio Barroso de Amorim – Bacharel em Ciências Humanas, discente do PPGCH, natural e residente no município de Diamantina. 

Entendemos que a composição acima atende tanto as recomendações do relatório do GT de Autoavaliação como às necessidades do programa de avançar na interlocução com a região incorporando em uma importante instância de assessoramento do PPGCH representantes externos conhecedores da região para além do âmbito acadêmico. A junção de diferentes olhares, internos e externos, tende a contribuir, principalmente, na formulação de estratégias para lidar com os desafios até agora identificados e listados no âmbito do planejamento estratégico. O programa recebe muitos servidores públicos que atuam na execução de políticas públicas na região, ter a participação de profissionais inseridos em espaços estratégicos como o Ministério Público de Minas Gerais e na Pró-reitoria de Assistência Estudantil da UFVJM permite ao programa pensar e adequar sua prática às necessidades do mercado de trabalho que recebe os egressos formados e às demandas sociais da população. 

Cabe destacar que a incorporação de membros externos à universidade e ao âmbito acadêmico envolve uma complexidade que precisa ser considerada. A racionalidade que impera no funcionamento da pós-graduação e da própria academia é bem compreendida por aqueles e aquelas que passaram anos se preparando para ocupar um espaço nas universidades, mas apresenta enormes dificuldades para ser assimilada por pessoas que atuam em outros âmbitos – algo que também pode passar a um professor universitário ou pesquisador quando exposto a outras lógicas e racionalidades. Expressões como currículo lattes, qualis, plataforma sucupira, avaliação quadrienal, periódicos científicos, dentre outras, estão distantes da realidade da maioria das pessoas externas à universidade. Com isso, não é simples compor uma comissão de autoavaliação que atenda às recomendações do GT e que cumpra seu objetivo de maneira satisfatória com real envolvimento de todos os componentes. Sabendo disso, nosso esforço tem sido direcionado a atender aos recomendado, mas atentos à criação de um espaço real de diálogo e contribuição.  

Os ciclos avaliativos vivenciados pelo programa nesse quadriênio tiveram início ainda no Quadrienal 2017-2020 com a criação da primeira comissão de avaliação e o processo de reestruturação das disciplinas obrigatórias. O primeiro ciclo avaliativo se iniciou em 2020 e se estendeu até o início de 2023 pautou-se por avaliar a aderência da proposta pedagógica à interdisciplinaridade e a coerência entre as linhas e projetos de pesquisa buscando realizar as adequações necessárias. Dessa forma, englobou uma série de ações que, embora não previstas e articuladas em um pré-plano com as etapas bem delimitadas, cumpriram o objetivo de permitir ao programa tomar consciência das fragilidades e desafios a serem enfrentados, identificando como parte disso a necessidade de se avançar na construção de uma identidade do programa e de reforçar aspectos que caracterizam o programa como interdisciplinar. Assim, o primeiro ciclo avaliativo pode ser sintetizado da seguinte maneira:

  1. Políticas e preparação: a) Estudo do relatório do GT de autoavaliação e apresentação dos principais pontos para o corpo docente em reunião ampliada realizada ainda em dezembro de 2020.
  2. Implementação e procedimentos: a) análise e sistematização dos dados do relatório de Avaliação Quadrienal 2017-2020 encaminhado à Capes, em que se observou a fragmentação das linhas de pesquisa, a falta de integração das linhas, o desequilíbrio entre as linhas de pesquisa, o baixo número de produção bibliográfica; b) levantamento dos temas de pesquisa dos professores dentro de cada linha de pesquisa e construção de um relatório analítico sobre as linhas; c) estudo do relatório do Grupo de Trabalho Produção Técnica e levantamento da produção técnica do programa; d) análise e sistematização das recomendações realizadas pela comissão de área no parecer de avaliação sobre o programa; e) levantamento e sistematização de informações sobre a estrutura dos programas interdisciplinares na área das Ciências Humanas.
  3. Divulgação e uso dos resultados: a) seminário docente realizado em julho de 2021 para socialização e discussão dos dados sistematizados a partir do relatório da Quadrienal 2017-2020; b) abertura de edital de credenciamento de professores para equilibrar as linhas de pesquisa; c) apresentação e debate do relatório sobre as linhas de pesquisa em seminário docente realizado no final de 2021, em que se identificou a sobreposição de temas entre as linhas e a necessidade de reestruturação; d) ainda no final de 2021 foi realizada apresentação e debate dos resultados sobre a produção intelectual do programa, em que identificou a necessidade de elevar o número de publicação e a produção técnica, indicando a necessidade dos docentes estimularem os discentes a incluírem como trabalho de conclusão de curso a criação de produtos; e) seminário docente realizado em 05 de outubro de 2022 para socialização e debate das recomendações realizadas pela comissão de área para o programa; f) workshop com professor Márcio Vilaça, do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Culturas e Artes da UNIGRANRIO sobre organização de linhas e grupos de pesquisa no dia 11 de novembro de 2022; g) Seminário docente realizado em 25 de novembro de 2022 para construção das novas linhas e projetos de pesquisa e formulação das estratégias de enfrentamento das fragilidades e desafios identificados; h) reestruturação das cinco linhas de pesquisa em duas novas linhas de pesquisa e vinculação dos projetos de pesquisa integradores às novas linhas a partir de janeiro de 2024.   
  4. Meta-avaliação: a) etapa realizada pela nova comissão de autoavaliação em reunião realizada em agosto de 2023, em que se reconheceu a importância do primeiro esforço avaliativo realizado no programa e as contribuições que isso proporcionou em termos de articulação, integração e aderência da proposta pedagógica do curso; b) também nessa etapa se reconheceu os aspectos que não foram cobertos pelo primeiro ciclo avaliativo, em especial a aprendizagem dos discentes, o desempenho do docente em sala e sua atuação como orientador e a inserção dos egressos, além da ausência de instrumentos de coleta de dados que garantisse uma participação direta dos discentes e egressos; c) ausência de um relatório final sistematizando as etapas do ciclo de avaliação e os resultados, exigindo que a nova comissão de autoavaliação recuperasse o processo a partir de diversos documentos – atas, convocações, relatórios parciais, arquivos de apresentação, gravações de reuniões, dentre outros;

O segundo ciclo avaliativo teve início com a indicação de novos membros para compor a Comissão de Autoavaliação que, ao se reunirem no mês de agosto de 2023, retomaram a trajetória percorrida no âmbito da autoavaliação do programa fazendo um balanço crítico do processo realizado e dando início aos trabalhos da comissão tendo como horizonte garantir a realização do ciclo completo ainda dentro do quadriênio 2021-2024 e a produção dos subsídios necessários à construção do planejamento estratégico do quadriênio 2025-2028. No segundo ciclo avaliativo buscou-se identificar a percepção de docentes, discentes e egressos sobre a qualidade do curso a saber: funcionamento do curso, formação ofertada e a inserção do programa na região, além de aspectos quantitativos da produção do conhecimento. Assim, o segundo ciclo avaliativo se desenvolveu da seguinte maneira:

  1. Políticas e preparação: a) recomposição da comissão de autoavaliação; b) avaliação do ciclo avaliativo anterior; c) análise da ficha avaliativa do programa para definição dos aspectos a serem avaliados, a saber: autoavaliação docente sobre a qualidade do programa; autoavaliação discente sobre o ensino e sobre a qualidade do programa; autoavaliação dos egressos sobre qualidade e impactos do programa; d) construção de formulários específicos para docentes, discentes e egressos com questões abertas e fechadas estruturadas em três grandes blocos – Perfil socioeconômico, Matriz de avaliação da qualidade e Potencialidades fragilidades e Proposições, sendo que o formulário dos egressos incorporou mais dois blocos – Importância na formação e carreira e Impacto do curso; e) avaliação do planejamento estratégico da quadrienal 2021-2024; f) avaliação da produção intelectual do programa; g) workshop institucional promovido pela PRPPG denominado “Planejamento Estratégico e Autoavaliação dos PPGs da UFVJM” com a participação dos palestrantes externos Prof. Dr. Lucindo José Quintans Júnior e Prof. Dr. Fábio Assis Pinho e apresentação do planejamento estratégico da PRPPG para os PPGs da UFVJM.
  2. Implementação: a) os formulários foram encaminhados por e-mail e aplicativos de conversa instantânea aos docentes, discentes e egressos em setembro de 2024 com prazo de 30 dias para resposta e enviado dois lembrete de preenchimento faltando 5 e 1 dia para a finalizar o prazo; b) levantamento e análise dos dados coletados por meio do Instrumento de Avaliação do Ensino – IAE, aplicado semestralmente pela UFVJM via o sistema de gestão do ensino chamado “E-campus” dos anos de 2021 a 2024; c) identificação da situação de cada ação/meta estabelecida no planejamento estratégico usando como marcador de classificação “concluída” para aquelas que haviam sido realizadas, “em andamento” para aquelas em que se identificou iniciativas de execução e “não alcançadas” para aquelas que foram executadas mas as metas não foram alcançadas ou que não se identificou nenhuma iniciativa de execução; d) análise anual, a partir do ano de 2023, dos relatório de indicadores de desempenho do programa gerados a partir da plataforma de avaliação e monitoramento StelaExperta; e) confecção do relatório final da Comissão de Autoavaliação entregue em janeiro de 2025.
  3. Divulgação e uso dos resultados: a) realização de seminário docente em dezembro de 2024 para apresentação dos dados coletados pela comissão de autoavaliação e debate analítico ampliado para a confecção do relatório final; b) os dados e análises foram utilizados, ainda em dezembro de 2024, para a elaboração do planejamento estratégico apresentado no item 1.3 do presente relatório; c) confecção do relatório final da Comissão de Autoavaliação entregue em janeiro de 2025 a ser disponibilizado no site do programa; d) ainda estão previstos a realização de 2 seminários docentes em 2025 para a socialização dos resultados apurados pela comissão de autoavaliação, assim como para apresentação e análise das informações sistematizadas no presente relatório quadrienal e) os resultados dos instrumentos utilizados serão apresentados logo a seguir;
  4. Meta avaliação: a ser realizada no segundo seminário docente que ocorrerá ainda em 2025.

Segue os principais resultados do segundo ciclo da autoavaliação:

  • Autoavaliação docente: a) apenas 19 docentes responderam o questionário de autoavaliação, dentre esses observou-se um equilíbrio de gênero, mas uma subrepresentação de professores autodeclarados negros apontando que no interior do programa se reproduz o padrão de desigualdade racial da universidade brasileira; b) os docentes avaliaram os quesitos relacionados ao funcionamento do programa como ótimo e bom, por outro lado, aspectos ligados à infraestrutura e acervo, à inserção do programa na sociedade, à divulgação das pesquisas para a comunidade e à inovação foram avaliados como bom e regular, já a internacionalização foi considerada fraca; c) a matriz curricular do programa foi considerada boa, flexível e compacta, estando adaptável à formação dos estudantes e aos objetivos de pesquisas desenvolvidos, mas alguns consideraram as unidades curriculares genéricas e fragmentadas e com pouco diálogo entre si, além de apresentarem um carater disciplinar; d) a opção de ser um programa profissional foi avaliada como um aspecto positivo, mas os docentes reconhece um forte carater acadêmico na formação oferecida, com disciplinas teóricas e o carater profissional ser aportado pelo perfil dos discentes; e) a falta de dialogo entre as linhas de pesquisa também foi apontado como um problema na formação ofertada; f) outros aspecto avaliado de maneira negativa foi a divulgação científica do programa e o diálogo com a comunidade externa, como baixa participação em congressos, site do programa desatualizado e insuficiente, dentre outros; g) com relação ao apoio institucional ao programa foi destacada a ausência de um técnico/a administrativo de atuação exclusiva no Programa, além do ínfimo número de bolsa, o pouco estímulo para a participação do corpo docente nos programas de pós-graduação e o excesso de burocracias; h) como pontos fortes foram apontados a relevância social/regionalização, o desenvolvimento regional, a diversidade (cultural, experiências, temas de pesquisa e pesquisadores), o compromisso político, a Interdisciplinaridade, o corpo docente comprometido e plural e a inserção territorial e social; i) como fraquezas os docentes consideraram a falta de recurso financeiro e de bolsas, o pouco diálogo entre pares, linhas e disciplinas, o baixo quantitativo de projetos coletivos, falta de parceria com outros programas e instituições, precário apoio técnico administrativo, falta de engajamento docente que se reflete na baixa participação, os problemas de divulgação das pesquisas e defesas, endogenia do programa, desequilíbrio entre linhas, baixa produção acadêmica e técnica e falta de internacionalização. 
  • Autoavaliação discente: a) 29 discentes responderam ao formulário encaminhado, ou seja, aproximadamente 57% dos docentes ativos naquele momento; b) dentre os que responderam, observou-se uma participação maior das mulheres em relação aos homens, um perfil etário majoritariamente entre 25 e 39 anos; c) a participação de pessoas autodeclaradas negras foi de aproximadamente 34%, bem abaixo da representação da população negra no total da população brasileira; d) a maior parte dos discentes que participaram são oriundos de escolas públicas, tanto no ensino médio quanto no ensino superior, mas apenas 13% declarou ter entrado no programa pelas cotas de ações afirmativas; e) 65,5% dos discentes responderam que trabalhavam e a maioria dos estudantes trabalhadores eram servidores públicos ligados à área da educação; f) em relação à remuneração média mensal, 44% declararam receber até 2 mil reais por mês; g) na percepção dos discentes, os quesitos de avaliação do funcionamento do curso também foram considerados ótimo e bom, sendo que os quesitos que avaliados como regular e fraco foram infraestrutura do curso, divulgação científica, inserção na sociedade e internacionalização; g) quase 70% dos discentes declararam interesse em fazer doutorado e mais de 71% disse que faria o doutorado no programa caso o curso fosse implementado; h) foram considerados pontos fortes do programa a interdisciplinaridade, a diversidade, a qualidade do corpo docente, a relevância dos temas e a formação crítica; i) dentre as principais fraquezas do programa foram apontadas a falta de bolsas, o formato e horário das disciplinas ofertadas, as dificuldades de diálogo entre docentes e disciplinas do programa, o enfoque acadêmico em programa profissional, a pouca visibilidade social do programa, a disciplinaridade como muitos professores conduzem as disciplinas, pouca integração.
  • Autoavaliação dos egressos: a) 55 egressos responderam ao formulário encaminhado em um universo de 165 egressos do programa, sendo que 60% havia concluído o curso a mais de 2 anos; b) dentre os que responderam observou-se um equilíbrio de gênero, um perfil etário majoritário entre 35 e 44 anos e de pessoas autodeclaradas brancas (63%); c) a maioria dos egressos foram oriundos de escolas e universidade públicas, mas a participação de egressos formados em universidades privadas chegou a 43,5%, em contraposição pouco mais de 9% acessaram o mestrado pelas políticas de ações afirmativas; c) mais de 92% dos egressos afirmaram estar trabalhando, sendo a maioria servidores públicos ligados à área da educação, mas observou-se também a presença de profissionais liberais como advogados e psicólogos; d) em relação à remuneração médio mensal, quase 58% declarou receber entre 3 e 8 mil reais por mês, por se tratar de um público majoritariamente formado por servidores públicos de nível superior, constata-se uma renda superior à média da população brasileira; e) 65% declararam ter melhorado significativamente a renda após a conclusão do curso e foram unânimes em afirmar que o Mestrado agregou em suas formações profissionais; f) mais de 81% declarou ter interesse em realizar o doutorado e 85% dos egressos afirmou que faria o doutorado no programa caso o curso fosse implementado; g) o funcionamento do programa e a formação foram avaliadas como ótimo e bom pelos egressos com exceção apenas de dois quesitos “internacionalização” e “ações de inovação” que foram avaliados pelos egressos como bom e regular; h) a falta de bolsas para os estudantes e a falta de recursos e incentivos para participação em eventos foram apontados como os principais problemas, seguidos de críticas ao horário e forte carater acadêmico das disciplinas ofertadas; i) como pontos fortes foram destacadas a qualidade do corpo docente, o diálogo com temas regionais e a diversidade das linhas; j) foram apontados como fragilidades os problemas de divulgação do programa e das pesquisas, a falta de recursos financeiros e de bolsa, o acervo, a baixa internacionalização, a falta de diálogo entre as linhas e entre os discentes.
  • Instrumento de Avaliação do Ensino – IAE: a) embora o instrumento esteja bem estruturado com seções que avaliam aspectos sobre a organização do curso, a atuação docente e a qualidade da formação ofertada, durante os 8 semestres que compõem o período da avaliação quadrienal, observou-se uma baixíssima participação do corpo discente e docente, sendo que nos semestres 2022/1 e 2021/1 não houve nenhum respondente do programa; b) no semestre 2023/2 registrou-se o maior percentual de respondentes do programa (14,8%), sendo que os quesitos avaliados em relação ao curso foram todos considerados excelentes e/ou muito bom, assim como a atuação da coordenação e a formação ofertada a partir das unidades curriculares cursadas no semestre; c) para 2025 será realizado uma sensibilização para ampliar o número de respondentes do IAE entre discentes e docentes, buscando alcançar pelo menos 50% do total de alunos;
  • Avaliação do planejamento estratégico: a) ao avaliar a situação de cada ação, apurou-se que 30% (12) das ações haviam sido realizadas, 62,5% (25) estavam em andamento e 7,5% (3) não haviam sido realizadas, ou as metas não haviam sido alcançadas; b) número elevado de ações que ainda encontravam-se em andamento, com atenção para aquelas que estavam direcionadas a enfrentar problemas que novamente foram apontados como fraquezas do programa, como por exemplo a divulgação científica do programa e os canais de comunicação; c) dentre as ações/metas não alcançadas estavam duas relacionadas ao aumento de publicação em periódicos, aspecto que registrou um resultado quantitativo menor no quadriênio 2021-2024;  

Em síntese observou que importantes ajustes a serem realizados no funcionamento do curso que abarcam desde o horário das disciplinas ofertadas, ao formato e o enfoque dado aos conteúdos e a necessidade de empreender esforços por mais recursos. O corpo docente do programa é reconhecido como uma fortaleza importante, assim como o caráter crítico da formação e a relevância dos temas trabalhados, por outros lado todos os grupos consideraram que o programa tem falhado em promover a divulgação do curso e dos conhecimentos gerados no âmbito das pesquisas o que afeta sua inserção na região. 

A comissão de autoavaliação sintetizou as análises dos resultados em 10 pontos: 

  1. O PPGCH teve um impacto significativo no rendimento dos egressos do Programa; 
  2. O programa tem uma vocação para qualificar servidores públicos. Uma parcela significativa dos egressos e dos atuais discentes pertencem a essa categoria; 
  3. Os egressos demonstram ter consciência de que o mestrado agregou em sua formação profissional e que fariam o doutorado com o programa acaso existisse essa oportunidade. 
  4. A discrepância entre a quantidade de mestrandos negros e a quantidade de mestrandos negros cotistas: essa discrepância ocorre pela prática da instituição em passar os estudantes negros que ingressam pelas cotas, mas que obtêm notas superiores para a livre concorrência. Essa discrepância tem sustentado falas como a desembargadora da Bahia que afirmou recentemente que as cotas produzem baixa qualidade de ensino porque incluem pessoas com baixa qualificação, quando pesquisas desenvolvidas pelos associados da ABPN que mostram exatamente o contrário, que os cotistas apresentam desenvolvimento superiores e/ou iguais aos estudantes não cotistas. A universidade tem autonomia para não continuar realizando essa prática que reforça o racismo institucional.
  5. Majoritariamente, os mestrandos do programa não defendem em tempo hábil, concluindo a formação entre dois anos e meio a três anos. Fato que pode ser atribuído ao exíguo número de bolsas destinadas para o programa, obrigado a maior parte dos estudantes a conciliar estudos e trabalho.
  6. Tanto os egressos como aqueles que estão concluindo o curso consideram a interdisciplinaridade e o corpo docente como um dos pontos positivos, mas alguns apontam que não observam muita interação entre as linhas.  
  7. O ponto fraco do programa, para a maioria, é a falta de bolsa para desenvolverem suas pesquisas;
  8. Quanto aos horários das disciplinas, tanto egressos como atuais, consideram que horários à noite ou aos fins de semana poderia facilitar o acompanhamento das aulas, além de ser uma possibilidade para agregar mais estudantes e impedir as desistências;
  9. Tanto egressos como atuais mestrandos consideram a divulgação do programa externamente fraca e pouco eficiente, sugerem mudanças na página e maior divulgação em redes sociais e em outros meios de comunicação;
  10. O corpo docente é um ponto positivo tanto para egressos quanto para os atuais discentes do programa. Todavia, existe uma percepção dos mestrandos de que há pouca interação entre as linhas, que a divulgação é fraca, que a página não contém muitas informações, sobretudo, a respeito das pesquisas realizadas pelos egressos e pelos próprios discentes.

Tais pontos, assim como as potencialidades e as fraquezas identificados, foram utilizados para formular o planejamento estratégico e estão refletidos nos objetivos específicos e ações estabelecidos para o próximo quadriênio, como pode ser verificado no item 1.3 do presente relatório. Cabe destacar ainda que o processo de autoavaliação focou em capturar a percepção de discentes, docentes e egressos sobre aspectos escolhidos para serem avaliados que ainda precisam ser confrontados com informações que foram sistematizadas no presente relatório. Assim, o ano de 2025 será estratégico para se avançar em um processo de autoavaliação colocando lado a lado as percepções, os números e os aspectos qualitativos medidos durante o quadriênio.